"Durante a estação chuvosa a grande disponibilidade de forragem pode favorecer maiores ganhos de produtividade dentro da porteira"

Manejo de pastagem: veja quais são os cuidados e recomendações para o período das águas

Por Samea Moraes Cabral, zootecnista e desenvolvedora tecnológica da Barenbrug do Brasil

Por que o manejo de pastagem é a melhor solução para aproveitar todo o potencial da forrageira?

Durante a estação chuvosa a grande disponibilidade de forragem pode favorecer maiores ganhos de produtividade dentro da porteira. Contudo, para atingir melhor performance, é preciso entender como podemos potencializar os ganhos. Esta estratégia é possível por meio do correto manejo das pastagens, que de forma objetiva, é permitir que os animais colham um alimento mais digestível e com maior valor nutritivo. É a solução para maior aproveitamento do potencial da forrageira de acordo com o seu ciclo produtivo, sem prejudicar o seu reestabelecimento e sua perenidade.

 

É interessante deixar claro que não adianta ter alta produção se não houver uma boa colheita. Uma vez criada uma condição de alta produção de forragem é necessária ter uma colheita eficiente; isto trará como resultado um melhor desempenho animal, gerando maiores produções tanto de @/ha como de kg de leite.

 

Atenção aos cuidados necessários para o adequado manejo de pastagem

 

Deve-se ter alguns cuidados com relação ao manejo das pastagens durante o período chuvoso. Após o estabelecimento da pastagem é preciso saber o momento ideal de entrada e saída dos animais. Então, qual o momento certo para iniciar o primeiro pastejo?

 

É indicado que o primeiro pastejo seja feito com animais mais leves para que estes façam o desponte da forrageira com o intuito de estabelecer o sistema radicular e estimular o perfilhamento, o que promove a longevidade da planta. A recomendação de altura de entrada e de saída, ou de manutenção, no caso de manejo de pastejo contínuo, varia de acordo com cada cultivar específica e é fundamental que seja levada em consideração essa recomendação.

 

Alguns produtores - de maneira errônea - preferem esperar a forrageira florescer para fazer o primeiro pastejo. De forma geral, essa não é a recomendação para nenhuma cultivar existente no mercado, pois, no momento do florescimento, a altura encontra-se ultrapassada, proporcionando maior quantidade de colmos em relação a quantidade de folhas e menor densidade de perfilhos, o que prejudica a perenidade da pastagem e sua produção subsequente. Com o avanço da maturidade da planta, decresce o nível de proteína, aumenta a quantidade de fibra e reduz a digestibilidade. Tanto a altura de entrada como a altura de saída, bem como a altura de manutenção, influenciam no bom manejo.

 

Mesmo em um cenário com boa oferta de forragem é necessário fazer o correto ajuste da lotação de acordo com a capacidade de suporte ideal para cada área. Nesse sentido, pastagens bem divididas e mantidas sob pastejo rotativo asseguram maior aproveitamento das forragens, uma vez que cada piquete terá um período de descanso em que os animais não estarão pastejando e isso evita que as novas folhas sejam selecionadas e consumidas pelos animais, promovendo uma rebrota vigorosa reconstituindo a estrutura da planta, ficando disponível mais rápido para o próximo pastejo e reduzindo a degradação da pastagem.

 

 

Veja como fazer o adequado manejo de pastagem em pastos muito grandes

 

O dimensionamento dos pastos é muito importante, pois pastos muito grandes contribuem para o consumo irregular de forragem e resultam em desuniformidade. Os pastos devem estar bem divididos, de forma que os cochos e bebedouros não fiquem muito distante - isso evita o gasto de energia por parte dos animais. A distância entre o cocho e o fundo da pastagem deve estar entre 250 a 300 metros no máximo. De modo geral, pastos mal dimensionados podem ocasionar tanto o subpastejo como o superpastejo - em nenhum dos dois casos isso é benéfico.

 

O subpastejo promove desperdício de forragem, desuniformidade das plantas e acamamento; no superpastejo os animais acabam por consumir mais do que é esperado, deixando o resíduo da planta muito baixo, o que chamamos de “pasto rapado” que causa prejuízo à rebrotação da forrageira e dá espaço para o surgimento de invasoras. Tanto a sobra de pasto quanto a falta levam à degradação das pastagens.

 

Para o produtor que busca fazer pecuária de ciclo curto, com vista à redução da idade de abate, a suplementação surge como um recurso que também pode ser utilizado durante a estação chuvosa para animais em sistema de pastejo, na tentativa de potencializar o desempenho tendo como finalidade permitir ganhos de peso adicionais, aumento do consumo de nutrientes e aumento da digestibilidade da dieta, que muitas vezes apenas com o consumo da suplementação mineral e da forragem não seriam alcançados. Para tanto, na utilização dessa ferramenta é indispensável o auxílio de um técnico especializado na área, para avaliar o perfil e a necessidade de cada propriedade separadamente.

 

É certo que o adequado manejo das pastagens, aliado a estratégias de suplementação, irá proporcionar melhor aproveitamento das áreas e maior rentabilidade à atividade, e o produtor deve estar atento às recomendações para escolher a melhor estratégia apropriada à sua realidade.

 

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