Manejo do pastejo e forrageiras de alto desempenho: uma parceria de resultado

Por Ulisses Figueiredo, Zootecnista e PhD em Genética e Melhoramento de Plantas e Pesquisador-Chefe do Programa de Melhoramento Genético de Forrageiras da Barenbrug do Brasil

 

É notório o avanço nos últimos anos no desenvolvimento e no uso de tecnologias de manejo do pastejo. Desde o início do século, com novos estudos nas áreas da ecofisiologia e morfogênese do pastejo em diferentes cultivares de forrageiras tropicais, foi possível gerar tecnologias de baixo custo para este tipo de manejo.

 

O correto manejo da pastagem é uma tecnologia de implementação prática e de baixo custo, que traz como benefício direto o aumento da rentabilidade do produtor rural.  Assim, torna-se ferramenta indispensável para a utilização da forrageira dentro da propriedade.

 

Para obter resultados positivos, o manejo deve iniciar-se no estabelecimento da pastagem, no momento da realização do primeiro pastejo, com o objetivo de promover um perfilhamento da planta; que por sua vez irá responder a desfolha realizada com a emissão de novos perfilhos ou pontos de crescimento, o que proporcionará maior produtividade ao longo dos anos da pastagem.

 

Como exemplo, estudos com a Braquiária híbrida cv. Mulato II evidenciam o grande potencial de produção de perfilhos por m², que pode variar de 800 a 1600, dependendo da região de uso. Diante deste cenário, um erro muito comum ainda nos dias de hoje é deixar o pasto sementar ou realizar um primeiro pastejo com o pasto passado.

 

Além de perder de três a quatro ciclos de pastejo na estação de chuvas, o produtor terá de esperar até as próximas chuvas para que tenha um pasto com uma estrutura do dossel correta para um bom manejo. Nestes casos, o pecuarista está perdendo a oportunidade de produzir um volumoso para seus animais em detrimento de uma escolha errônea.

 

Além das práticas de adubação de manutenção, o manejo correto da pastagem permitirá o alcance de uma alta performance animal.  O produtor deve estar atento às técnicas e realizar o ajuste da taxa de lotação, que muda de acordo com a época do ano e o período de transição entre as estações.

 

Ainda para os diferentes sistemas de pastejo adotados na propriedade, o produtor rural deve definir, junto a um técnico especializado, as metas de manejo de acordo com a cultivar usada e o sistema empregado na propriedade.

 

Uma vez identificadas e realizadas essas ações, o produtor terá uma resposta positiva na produtividade, fato este evidenciado por estudos que comprovam um aumento de no mínimo 7% na produção de leite por vaca/dia, quando se usa o Mulato II em relação à cultivar Marandu.

 

Não obstante, essa maior produtividade se dá pelo maior potencial produtivo da cultivar, mas evidentemente o manejo correto da pastagem permite explorar o alto potencial de produtividade de uma pastagem.